COLUNA VIDA DE BALZAC
por: Babi Arruda
A Volta dos que não Foram
Você acredita em vida após a morte cara balzaquiana? Não?! Então acho melhor você começar a rever os seus conceitos porque o que mais acontece por aí é a ressurreição de ex-palhacinhos, também conhecidos como falecidos: ex-marido, ex-noivo, ex-namorado, ex-ficante, ex-peguete, ex-lanchinho.
O negócio é tão assustador que parece roteiro de filme de terror trash de quinta categoria, aqueles que passam na sessão corujão em cinema velho no centro da cidade. O título da película: A volta dos que não foram! Credo!
Quando você menos espera eles estão ali, prontinhos, querendo montar de novo um circo na sua vida com toda aquela energia contagiante de quem acabou de voltar de uma longa temporada de morte. Sim, eles são adeptos da vida pós-morte e depois de um período enterrado a sete palmos abaixo da terra, eles ressurgem com novas palhaçadas para alegrar a nossa vida.
E o pior de tudo que tem muita coleguinha que dá crédito a esses fanfarrões e os coloca de novo na ativa. Uma semana depois estão chorando pelos cantos dizendo que a peça rara aprontou de novo com o coração das donzelas.
Aí eu pergunto: qual a novidade nisso? Sinceramente, o que você esperava? Se ex fosse bom, não era ex. Os que já foram não podem mais retornar. Não faz parte da ordem natural. Simples assim!
Entenda de uma vez por todas que quando enterramos o defunto, ele deve permanecer enterrado. Por mais que o estado dele mude de vivo para morto em questão de segundos, a profissão vai continuar sendo a mesma: palhaço! E você não pode permitir que ele entre e saia da sua vida na hora que ele bem entender.
Palhacinho repetido não completa álbum, sem apresentações novas no seu circo colega (traduzindo: são as mesmas palhaçadas de sempre. No máximo, algumas repaginadas!). Realiza! Você tem que abrir inscrições para mágicos. MÁ-GI-COS!
Quando um vaso quebra, fica todo em pedacinhos. Você pode até colar os caquinhos, mas as rachaduras sempre estarão visíveis incomodando, tirando o encanto da estética perfeita. Num relacionamento é a mesma coisa. Ainda mais considerando que eles adoram derrubar no chão o mesmo vaso diversas vezes. Haja cola!
Por isso colega, nada de falecido na sua vida. Chame o coveiro de novo para enterrar o cidadão. E dessa vez garanta que ele esteja a pelo menos uns 21 palmos abaixo da terra. E para ficar tranquilinha acenda um maço de velas para o mau defunto para ele te deixar em paz. Quem sabe com o caminho iluminado ofuscando a visão dele, ele não larga do teu pé?
E se nada disso funcionar é melhor você procurar uma mãe de santo para tirar esse encosto da sua vida querida! É o jeito, não saia de casa sem se benzer. Grita pé de pato, mangalô três vezes e despache esse palhaço exu na encruzilhada!
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Babi Arruda é jornalista formada pela Universidade Católica de Santos (UniSantos). Atualmente está fazendo MBA em Marketing e também possui aperfeiçoamento em Comunicação Integrada e Marketing Institucional, ambos pela UniSantos. Já atuou em veículos renomados de jornalismo impresso e online como também em departamentos de comunicação de empresas/instituições conceituadas da região da Baixada Santista, geralmente voltada para as áreas de comportamento, cultura e entretenimento. É autora do blog A Esperança da Caixa de Pandora e possui uma coluna no Portal da TV Tribuna – afiliada da Rede Globo na Baixada Santista e Vale do Ribeira.







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