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Faculdade faz “castração química” de pedófilos

Castração QuimicaO Ambulatório de Transtornos de Sexualidade da Faculdade de Medicina do ABC, em São André, no ABC paulista, tem aplicado, sem nenhum alarde, um tratamento que provoca polêmica no mundo inteiro: a injeção de hormônios femininos para diminuir o desejo sexual de pedófilos, conhecida como “castração química”. “Eu defendo e faço”, afirmou o psiquiatra Danilo Baltieri, doutor pela Universidade de São Paulo (USP) e responsável pelo serviço. Integrante do Conselho Penitenciário do Estado, ele disse que só usa o método com o consentimento dos doentes. “Ou faço isso ou eles vão fazer sexo com crianças.”

O ABCSexserviço, criado em 2003, atende hoje cerca de 30 pessoas com diagnóstico de pedofilia, considerado um distúrbio psiquiátrico. Nenhum dos pacientes está cumprindo pena. Alguns respondem a processo ou a inquérito policial, e são encaminhados por ordem judicial, outros chegam ao serviço por vontade própria Baltieri não informou o número de pacientes em tratamento. Mas revelou que o pedófilo atendido há mais tempo começou a receber hormônios três meses atrás.

Recentemente a castração química para criminosos sexuais, adotada em alguns Estados americanos, foi defendida pelo presidente da França, Nicolas Sarkozy. No Brasil, já houve proposições no Congresso, a mais recente do senador Gerson Camata (PMDB-ES). O debate é retomado quando há casos de repercussão, como o do doente mental Ademir do Rosário, acusado de praticar abusos sexuais contra meninos na Serra da Cantareira zona norte de São Paulo, e de ter matado pelo menos duas vítimas.

Baltieri rejeita o nome “popular” do tratamento. Para ele, o termo “castração” dá a entender que se trata de uma medida imposta ao paciente, com efeitos permanentes. Segundo o médico, as injeções de hormônios que ajudam a evitar ataques a crianças são aplicadas em um pequeno número de pacientes do ambulatório e como última opção, restrita aos que não tiveram melhora com outros tipos de drogas e psicoterapia. Baltieri disse que todos têm capacidade de compreender as informações sobre a terapia e assinaram um termo de consentimento. Os efeitos, como diminuição da libido e prejuízo das ereções, são temporários. O hormônio mais usado é o acetato de medroxiprogesterona, um anticoncepcional feminino.

Baltieri critica o projeto apresentado por Camata, por entender que o controle hormonal foi apresentado como alternativa para a redução da pena do pedófilo. “A questão não é de punição, é de tratamento”, diz o psiquiatra, que enfrentou questionamentos recentemente ao expor o trabalho no Congresso. Segundo a pesquisa “Perfil do Preso do Estado de São Paulo”, realizada pelo governo do Estado em 2003, cerca de 4% das condenações do sistema prisional tinham como motivo crimes sexuais, como estupro e atentado violento ao pudor.

Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul

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